terça-feira, 1 de agosto de 2017

Oficina: Turismo Literário – Percursos e Trajetos em Cidades Narradas


Agosto e setembro de 2017
Ernani Viana da Silva Neto[1]

O passado do viajante muda de acordo
com o itinerário realizado.”
Ítalo Calvino | As Cidades Invisíveis - 1972

Existe uma série de estudos que se dedicam a mensurar as motivações turísticas. Segundo esses, as razões desta modalidade de consumo, no destino desejado, variam entre as mais hedonistas as mais puras simbolizações. Nesse contexto, há uma organização na oferta de produtos e serviços turísticos voltados para os mais variados perfis e estilos pessoais. Dentre esses há um, em especial, que possuem características que moldam o que hoje conhecemos como Turismo Cultural[2]. A especificação, segundo Barreto (2007)[3], do agente que estrutura e movimenta este setor é o Turista Cultural. Este agencia sua própria viagem a partir dos aparelhos de tecnologias digitais que possuem acesso a informações online, realiza trocas com a população, em especial seus artistas locais, visita equipamentos e instalações culturais e, normalmente, evita os atrativos mais badalados por considerar-se diferenciado das massas.

Entre os nichos que compõem o segmento do Turismo Cultural encontra-se o Turismo Literário[4]. A Literatura pode ser entendida, também, como uma expressão da Cultura. A partir dela, pode vincular-se aos gestos, as relações e os sentidos de um lugar que não o seu de residência. A obra literária, ao ser tomada enquanto um recurso cultural (YUDICE, 2004)[5] esta pode ser, por excelência, a mediadora entre a exposição do autor e suas influências, a fruição do leitor e a construção dos percursos de uma cidade narrada. Neste sentido a viagem consuma a relação ficção- realidade que o Turista-Leitor (SIMÕES, 2002)[6] povoou em seu imaginário enquanto Leitor-Turista.

Mediante o exposto a Oficina de “Turismo Literário– Percursos e Trajetos em Cidades Narradas” irá abordar obras que constituíram um sentindo de Brasil, a partir do olhar dos Viajantes, que influenciaram o velho e o novo continente por estas narrativas. Como a figura do Flâneur migra para o atual Turista Cultural e/ou Viajante. Como são elaborados as rotas e os roteiros literários no Brasil e no mundo e as possibilidades destas ações em Caxias do Sul e Região.

PROGRAMAÇÃO

MÓDULO I

07 DE AGOSTO: O que é Turismo Literário?/ Grand Tour: Origens e Desdobramentos.

14 DE AGOSTO: Brasil e o Rio Grande do Sul na Literatura dos Viajantes

21 DE AGOSTO: Flâneur, Dândis e o Turista Cultural: Por Walter Benjamim, Charles Baudelaire, Edgard Allan Poe e Gustav Flaubert.

28 DE AGOSTO: Turismo Literário no Velho Continente.

MÓDULO II

04 DE SETEMBRO: Rotas e Roteiros Literários do Novo Mundo; A Maceió da Angústia de Graciliano Ramos / Entre o Povo e a Paisagem em Calabar de Lêdo Ivo.

11 DE SETEMBRO: Elaboração de Rotas Literárias / João do Rio e a Alma Encantadora das Ruas / Exercícios

18 DE SETEMBRO: Percursos pela região: O Quatrilho de José Clemente Pozenato; a literatura urbana de Dhynarte Borba (Um olhar pela cidade e outros olhares); a poesia de Eduardo Dall’Alba.

25 DE SETEMBRO: Na trilha do Assassino da Princesa – Pedro Guerra;
a Caxias Isabella de Luiz Carlos Ponzi e os Contos de Maikel de Abreu.



[1] Turismólogo e Pesquisador Cultural. http://lattes.cnpq.br/3774936945702244 | ernaniviana@gmail.com | (54) 9 8120 – 8496
[2] “Turismo Cultural compreende as atividades turísticas relacionadas à vivência do conjunto de elementos significativos do patrimônio histórico e cultural e dos eventos culturais, valorizando e promovendo os bens materiais e imateriais da cultura.” BRASIL, Ministério do Turismo. Segmentação do Turismo: Marcos Conceituais. Brasília: Ministério do Turismo, 2006.
[3] BARRETTO, Margarita, (2007): Turismo y Cultura. Relaciones, contradiciones y expectativas. El Sauzal (Tenerife-España)
[4] “O peregrino literário é uma figura com origens no Grand Tour (Urry, 2002 [1990]: 11), cuja designação se aplica a alguém que, movido por uma profunda admiração por um “autor-Deus” (Barthes, 1977: 146), percorre voluntariamente longas distâncias com o principal objetivo de experimentar, em primeira mão, uma comunhão com o autor que admira, de ver o que ele viu, sentir o que ele sentiu, estar onde viveu, onde escreveu, onde morreu, onde foi sepultado, sentar-se onde o autor se sentou, observar e tocar os seus objetos.” QUINTERO, Silvia. BALERO Rita. Uma personagem à procura da literatura: A ficção literária e a prática turística. In Dos Algarves: A Multidisciplinary e- Journal no. 24 – 2014
[5] YUDICE, George. A Conveniência da Cultura – usos da cultura na era global. Trad.: Marie-Anne Kremer. Belo Horizonte, UFMG, 2004
[6] SIMÕES, Maria de Lourdes Netto. De Leitor a turista na Ilhéus de Jorge Amado. In: Revista Brasileira de Literatura Comparada, Rio de Janeiro: Abralic, 2002


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