domingo, 22 de setembro de 2013

Maracatus de Maceió: Algumas palavras

Coletivo AfroCaeté na comunidade São Jorge em Maceió - AL

Particularmente considero o marco ressurgente do maracatu em Alagoas a Cerimônia de Coração do Rei Doté Elias e da Rainha Lucineide, da Nação do Maracatu Acorte de Airá, no dia 18 de novembro de 2011 na igreja Nossa Senhora Mãe do Povo em Jaraguá. Para justificar acredito que eles possuem todos os elementos constitutivos de um Maracatu. Além da base percussiva, elencam sua relação com a religiosidade ritualística, a utilização dos adornos, figurações, ornamentalidades e demais elementos que constituem o baque virado. Mas antes disso houveram belos rufar de caixas e tambores.

Divulgação

Apresentarei aqui uma pitada da história do novo maracatu que surge em Maceió na atualidade. Mais precisamente sob o enfoque de minha pequena contribuição neste processo, já que se trata de um movimento em curso e conta com muitos agentes. Apresentarei aqui os grupos que surgiram e que continuam impulsionando esta realidade na cidade de Maceió, claro que sabendo que em poucas linhas não dá pra enriquecer de detalhes cada etapa, mas deixarei links de acesso dos grupos que até então constituem esta cena.

O ano era 2007 e eu estava recém-chegado a Maceió depois de uma temporada em Brasília-DF atuando como estagiário na EMBRATUR, quando Christiano Barros, antropólogo e amigo pessoal, fala da oficina de maracatu realizada por Wilson Santos que esta formou um grupo e estavam dispostos a dar prosseguimento aos ensaios, pretendendo se consolidar enquanto equipe musical. Na semana seguinte havia encontrado Wilson e, ousadamente, falei do meu interesse em participar do grupo que estava tomando forma. Como não houve recusa, lá estava nos ensaios sempre as 14h do sábado no estacionamento do CENARTE, próximo a praça dos Palmares. O grupo passou a se chamar Maracatu Baque Alagoano, melhor conhecido como Baque.

As alfaias começaram a circular em maior volume na cidade e seu som começava a seduzir jovens e adultos abertos a novidades artísticas. Neste mesmo período começou as aproximações com as manifestações religiosas ancestrais. As vezes por convite, outras por solicitação de parte do grupo. Citando aqui o inicio das atividades do dia 08 de dezembro da orla de Pajuçara, hoje conhecida como Festa das Águas, e a Lavagem do Bonfim junto ao afoxé Odô Yá no segundo domingo do ano. Também nas prévias carnavalescas do Jaraguá Folia. Como falaria Gilberto Gil “A novidade era o máximo do paradoxo estendido na areia”, Trompetes e alfaias voltaram a fazer carnaval.

A maestria percussiva contou com Wilson até 2008. Entra em seu posto Dalmo Santos que coordena a batucada até hoje. Neste interin, por ser o grupo caracterizado por várias lideranças e várias formas de compreender as dinâmicas culturais, o embate de ideias era inevitável e que é natural nas relações de grupo.

Resultado disso é em 2009 a saída de uma parte dos integrantes do Baque Alagoano, no qual me incluo, e a construção do Coletivo AfroCaeté, que no inicio teve o apoio do DITEAL para ocupar o estacionamento do Teatro Deodoro para seus ensaios aos domingos. Hoje o grupo possui uma sede no bairro do jaraguá e mantém o mesmo dia de ensaio. Novas formas de se organizar e pensar este novo momento estavam na ordem do dia. Em sua constituição estavam universitários, produtores culturais, professores e artistas populares que auxiliavam em pensar a cidade nas suas relações com a cultura, particularmente na periferia. Seminário Múltiplos Olhares sobre a Cultura Alagoana promovido pela Secretaria de Cultura, FUNARTE e UFAL é resultado desta compreensão, como as atividades do Agosto Popular na praça Santa Teresa no Vergel do lago.

No mesmo ano é fundada a Nação do Maracatu Nação Acorte de Airá da Grota do Arroz, coordenado pelo Pai Elias tendo também Mestre Sandro Santana a frente das evoluções percussivas no inicio de suas atividades. A aproximação entre Coletivo AfroCaeté e Acorte não poderia ser diferente.

Para juntar aos grupos aqui expostos, vem mãe Vera entoando seu canto Banto com o Maracatu Raízes da Tradição com jovens do Tabuleiro dos Martins, minimizando sua vulnerabilidade social com atividades artísticas promovidas por ela. A questão dos maracatus estarem nas ruas novamente é expressão de uma nova forma de perceber a e empreender a Cultura Negra em Alagoas que está apenas começando.

Grupos:








Postar um comentário