sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Curso Gratuito de Formação Cineclubista em Arapiraca com Hermano Figueiredo - Vagas Limitadas!


Curso Gratuito de Formação Cineclubista em Arapiraca
com Hermano Figueiredo


Cineclube é uma associação de pessoas que criam e estimulam momentos de exibição, apreciação e problematizam sobre obras cinematográficas.

Fomentar o desenvolvimento de cineclubes é estimular a capacidade criativa das pessoas envolvidas, estimulando proposições que intervenham positivamente na cultura e auxiliar na solução de problemáticas, compreendendo assim outras formas de ver o mundo.

Visamos a preparação de pessoas que venham a desenvolver cineclubes na cidade de Arapiraca, subsidiando de informações e técnicas os possíveis corpos gerenciais para manutenção desta atividade constantemente em comunidades, escolas, universidades e diversos locais públicos aonde a criatividade venha se manifestar.

Conteúdo Programático

O que é cineclubismo?
Conceituação e histórico;
O papel do movimento cineclubista na sociedade;
Lutas, bandeiras e perspectivas.

Cineclube
Formas de organização e funcionamento.

A abordagem analítica de filmes
Estética, mensagem e narrativa;
Contextualização histórica e cultural de obras cinematográficas;
Estimulando o debate;
A habilidade de programar.

Breve histórico de uma longa história
A reprodução/representação da imagem. Das pinturas rupestres ao holograma;
O surgimento da fotografia e o impacto sobre as artes plásticas;
Da lanterna mágica ao cinematógrafo;
Dos irmãos Lumiére ao nascimento de uma linguagem.

A sintaxe cinematográfica
Características fundamentais da imagem fílmica;
Tipos de planos;
Os movimentos de câmera;
Os ângulos de filmagem;
Enquadramento e profundidade de campo;
A construção da narrativa - Dimensão simbólica do filme;
Metáforas e símbolos. 

A estética do Documentário
Abordagem, o tratamento do tema;
Roteiro – Um ponto de partida;
A opção narrativa.



Hermano Figueiredo

Liderança do movimento cineclubista brasileiro, Hermano começou suas atividades organizando sessões de cinema de arte em 1970, no Recife/PE. Numa espécie de olho no olho, e corpo a corpo com o público, faz um trabalho político e performático que chama atenção para a necessidade de canais de difusão para o audiovisual brasileiro. Sua marca é exibir em suportes inusitados, onde expressa uma estética que interage, seduz platéias e provoca reflexão. Hermano também é diretor dos curtas São Luís Caleidoscópio, Choveu e Daí?, O que vale no Vale, A última feira, e das médias-metragens Mirante Mercado, Calabar e Lá vem o Juvenal! Sua última realização foi a iniciação em ficção com o curta Um Vestido para Lia onde divide a direção com Regina Célia Barbosa.

Realização:

Prefeitura Municipal de Arapiraca
Secretaria Municipal de Turismo e Cultura de Arapiraca
Ernani Viana Projetos Culturais

Apoio:

Projeto Filme de Quinta
Cine Primavera
Barracão Cine Clube
Saudáveis Subversivos
Ideário

Serviço

Oficina Gratuita de Formação Cineclubista em Arapiraca

Dias: 10 e 11 de Dezembro de 2011
Horário: 08h às 18h
Local: Auditório da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura de Arapiraca
Inscrições: 82 3521 5313

Vagas Limitadas!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Manifesto Makamãdi - 1995


Há duas décadas, exatamente no ano 1972, esta Associação Teatral das Alagoas-ATA inaugurava, com a montagem de  “Hoje é dia de rock”, de José Vicente,  no Teatro de Arena Sérgio Cardoso, uma nova estética e uma nova relação com a comunidade de Maceió.

Pela primeira vez, os “meninos da Dona Linda Mascarenhas” ou “os meninos da ATA”, como éramos conhecidos, e sob a direção do mineiro-carioca e cidadão de Maceió Lauro Gomes, realizávamos um espetáculo de relação efetiva com as terras das Alagoas.

Em toda nossa história de espetáculos, montados a partir de 1955, aquela foi a terceira vez que a ATA vivenciara o teatro em plenitude.  As duas montagens anteriores foram:

“Eles não usam black-tie”, de Gianfrancesco  Guarniere (1934 -2006), 1961, sob a direção de Maurício Guimarães e “D­ona Xepa”, de Pedro Bloch (1915-2004), 1963, 1968.  Através delas Maceió se identificou plenamente com o grupo de Linda Mascarenhas ( 1895-1991). Quanto mais se estendeu a temporada, no pequeno palco do Arena, maior público acorria ao teatro para participar. Essa celebração de cumplicidade entre o que era apresentado, a forma da representação dos atores da ATA e o interesse do público que vibrava à cada noite de espetáculo, possuiu significado artístico-cultural poucas vezes proporcionado pelo teatro da terra até os dias atuais. Éramos um grupo formado por estudantes universitários, reunidos em torno de Linda Mascarenhas com o objetivo de fazer teatro amador.

A estética que inauguramos na montagem de “Hoje é dia de rock” foi construída sob o signo das nossas expressões culturais nativas, as mais típicas e as mais contemporâneas à época. Outros espetáculos se sucederam filiados a esta formalização: “O Inspetor Geral”, de Nicolai Gogol, em 1975, “O bravo soldado Schweik”, de Jaroslav Hasec, em 1976 e “A sapateira Prodigiosa”, de Federico Garcia Lorca, em 1977, dirigidos por Lauro Gomes. Banda de pífanos, foguetório, bandeirolas de nossas festas de rua, borboleta de pastoril, alagoanizaram estas clássicas comédias.  A aplicação desses recursos tinha funções políticas e culturais no sentido brechtiniano. Com esta recorrência às expressões de nossa cultura, queríamos mostrar que a representação que fazíamos era peculiar ao nosso contexto sóciopolítico.

O aprofundamento dessa práxis foi realizada de forma indubitável quando a ATA montou “Comeram  o Bispo D. Péro Fernão de Sardinha”, de Luis Sávio de Almeida, em 1980, sob a direção de José Márcio Passos, e “Duvidamos ?”, de Ronaldo de Andrade e Homero Cavalcante, em 1981, sob a direção de Homero Cavalcante. Naqueles momentos confirmávamos o objetivo de fazer teatro que refletisse as idiossincrasias de nossa sociedade.

Passadas mais de duas décadas após a montagem de “Hoje é dia de rock”, durante as quais nos aprofundamos e nos afastamos desses propósitos sócioculturais, criando espetáculos sob outras óticas estéticas, percebemos o quanto Maceió cresceu em população, o quanto se agravou a sua miséria social, o quanto se transformou culturalmente, o quanto as conquistas teatrais dos anos setenta ficaram para trás, quase no esquecimento. Estas ocorrências possuem paralelo no contexto nacional. Elas se justificam no arrefecimento das tensões geradas pela política de exceção cerceadora das liberdades civis, dos anos sessenta e setenta, impingidas ao País pelos militares e classes hegemônicas conservadoras. Chegamos aos anos oitenta sem saber como proceder. O novo ânimo democrático que se estabeleceu, gerou uma certa estupefação nos movimentos artísticos nacionais.

Embora com algumas tentativas de recontextualização nos anos oitenta, o que se depreende da prática teatral de Maceió é o desmantelamento da estrutura de lideranças que sustentava o movimento. Adaptando-se às contingências, outra realidade foi sendo configurada atravês de nova forma de encarar a prática teatral. Surgiram escolas de formação de ator e sindicato, e se estabeleceu o confronto entre os artistas de teatro e os resquícios das estruturas autoritárias vigentes na administração estadual. Tal enfrentamento pode ser explicado pela atribuição de responsabilidade para com as “utilidades públicas” do Estado. As lutas por mudança confinaram o frágil movimento teatral de Maceió dos anos oitenta às fronteiras alagoanas e à orientação de partidos políticos como o PCdoB de Alagoas. Em conseqüência, o teatro de Maceió, anteriormente contextualizado ao teatro amador do Nordeste, se isolou.

A realidade que apontamos é afeta à ATA e à análise dos demais grupos teatrais da cidade que subsistiram e aos que surgiram neste período. Ela denota uma prática teatral controvertida, pois se choca com o contexto onde atua e ao qual deve dedicar atenção e corresponder. Com esta consciência surgiu muito bom teatro nos demais estados do Nordeste. Do Ceará à Pernambuco, e em Sergipe, os trabalhos de construção cênica se evidenciaram, principalmente nos aspectos que privilegiam a encenação em detrimento da direção; a atitude profissional ao invés da amadora; as montagem repletas de signos culturais que comunicam nosa herança ibérica em fusão com a indígena e a africana.

Tais características, além de referendarem a existência particular do Nordeste, promovem a resistência da diversidade cultural, enquanto, artísticamente, ampliam a visão dos procedimentos estéticos teatrais do Brasil, com maior clareza.  Entretanto, elas já foram abordadas em Maceió, na década de sessenta em espetáculos do TAM-Teatro de Amadores de Maceió e de Os Dionysos. Estes grupos tiveram , entre os  últimos trabalhos de suas existências as peças “A história de João Rico”, de Gercino Souza ( 1928-1981) e Volney Leite (1930-2001) em 1966 e “O auto da paixão e morte do Mateu”, de Luiz Gutemberg, em 1967. Nesta vertente, ainda devem ser acrescidos outros trabalhos indicadores da alagoanidade do teatro realizado em Maceió: “Riacho Doce”, em 1967 e “Bossa Nordeste”, em 1968, de Lauro Barros Silva Filho. Integrado a essa prática de preocupações sócio culturais, Pedro Onofre enfatizou na sua dramaturgia a necessidade de transformação da realidade socialmente cruel das Alagoas. Ressalte-se aqui a peça “Terra Maldita”, encenada pelo TCN-Teatro Cultura do Nordeste, em 1963. A raiz histórica do teatro de motivação sóciocultural gerou na sociedade de Maceió interesse pelos espetáculos. O sucesso de público alcançado respalda esta conclusão.

Todo artista de teatro persegue o sucesso para suas criações. O seu alcance garante a continuidade dos trabalhos e a sobrevivência condigna do criador. A arte do teatro prescinde de significados social e cultural. Se aqueles espetáculos realizados com tanta honestidade artística nas Alagoas foram esquecidos pelo público, mister se faz que se lhes resgate  e noticie a importância, como exemplos de caminhos a serem seguidos nos tempos atuais.

A ATA-Associação Teatral das Alagoas, grupo remanescente do movimento teatral dos anos cinqüenta, de par com o privilégio de ser testemunha e participante da construção da história do “Moderno Teatro de Maceió”, se atribui o dever  artístico-social de refletir sobre a importância da abordagem cultural no teatro de Alagoas; e norteada pelas conclusões alcançadas, trazê-las à público e adotá-las como estratégias para a desobstrução dos canais de comunicação efetiva e transformadora entre palco e público das Alagoas.

Portanto, vem de público manifestar o seu compromisso com a construção de um teatro que: 

MANTENHA-SE EM ESTADO DE ALERTA, CRÍTICO, COM A VIVACIDADE CAPAZ DE ABSORVER, DIGERIR E POR EM PRÁTICA CONHECIMENTOS CÊNICOS, ADEQUANDO-OS ÀS CONDIÇÕES DE UM TEATRO QUE SE PROCLAME ALAGOANO.

ATA-Associação Teatral das Alagoas
Aos quarenta anos de sua fundação no ano do centenário de Linda Mascarenhas.

Maceió, 12 de outubro de 1995.

*Macamandi. Expressão usada pelo dramaturgo Luis Sávio de Almeida (V.Farinhada, tragicomédia alagoana). Variação de Macaxeira e Mandioca (Macaxeira. Var. de Macaxera < Tupi MAKA’XERA). S.F. Bras., N.e NE.: Mandioca (do Tupi Mãdi’og). Planta leitosa, da família das Enforbiáceas (Manihot utilíssima), cujos grossos tubérculos radiculares ricos em amido, são de largo emprego na alimentação, e do qual há espécies venenosas, que servem para fazer farinha de mesa. MAKAMÃDI(Var.de MACAMANDI)


**Ronaldo de Andrade - Mestre em Artes ECA/ESP, Professor de História do Teatro e História do Teatro Brasileiro do curso de Artes Cênicas da UFAL. Autor das peças: "Duvidamos?", "Estrela Radiosa","Não inventei o Teatro", "A cidade e o Poeta", "Dona Magna vai ao trono". É ator e presidente da ATA.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

SET de Pedro da Rocha no Projeto Filme de Quinta




Programação do mês de setembro no Filme de Quinta

www.cinefilmedequinta.blogspot.com

www.facebook.com/filmedequinta

Edição: Ernani Viana

Trilha: " A Briga do Cachorro com a Onça"
Banda de Pífano Santo Antônio do Tabuleiro do Martins. Maceió-AL